MADEMOISELLE

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Num resumo muito breve sobre este filme, poderia ser traduzido da seguinte forma; toda a sexualidade reprimida pode levar a incêndios, inundações, maus tratos e em muitos outros atos, pensados e impensados, pode transformar também a pessoa num animal. Toda uma comunidade, estando íntimo ou não com suas verdadeiras crenças religiosas, não está livre totalmente de agir conforme o estado de razão e moral que mais lhes cabem no momento.

Mas é claro que diante de um trabalho tão intenso como este aqui, não há como reduzi-lo apenas em um breve resumo da história, afinal a psique humana é mais uma vez despida através do cinema e gera desconfortos, mas quem poderia dizer que o tiro aqui não foi certeiro?

Estamos aqui em uma pequena província francesa, onde as maiores ocupações dos habitantes é cuidar do cultivo da terra e dos animais e ir a igreja alimentar a sua fé. É tudo tipicamente comum;  há uma escola, uma igreja, o lago, as plantações e também a imigração. A imigração é um ponto crucial na trama, pois ainda que se conta muito com a mão de obra, nem tudo é visto como bons olhos pelos residentes.

Entre eles há Manou e Bruno, pai e filho de origem italiana que buscam sobreviver em meio a dias difíceis. Enquanto o pai faz serviços braçais, o filho frequenta a escola local. Mas há uma peça importante e fundamental em toda esta história, e é ela que dá título ao filme. Mademoiselle (uma diabólica Jeanne Moreau) é a professora da escola, a mulher devota e bem diante dos nossos olhos é também a própria personificação do diabo. É nos seus atos que podemos inflamar mais essa
hipótese embora algumas vezes um close diretamente no semblante da atriz, fica-se mais evidente disso.

Tony Richardson tem em suas obras mais conhecidas As aventuras de Tom Jones e Um Hotel Muito Louco, e aqui ele filma tudo com a secura de uma pancada. A moralidade e o inverso dela estão ali, disputando o maior espaço e é a frieza com que desenhou a personagem de Jeanne Moreau que o filme tem sua maior força. Enquanto em alguns momentos, a mulher ensina as crianças a ler e escrever, em outros ela distribue alguns castigos injustos, sempre direcionados a um mesmo garoto, mas é quando ela ganha ares e instintos animalescos (ou quando não sabemos quem está escondido na máscara de quem) é que entendemos a verdadeira mensagem do filme.

Mademoiselle que foi escrito por Marguerite Duras e que teria sido vaiado em Cannes na época em que foi apresentado, hoje é quase desconhecido do público, mas não a ponto de inspirar alguns cineastas hoje mundialmente famosos, como por exemplo Michael Haneke. Não há como não identificar alguns elementos que o mesmo utilizou décadas depois em seus filmes, onde a conduta racional e irracional, junto com aquele lado mais escondido da alma humana é posto para fora como uma flor negra e desabrochante.

Mademoiselle – 1966 dir: Tony Richardson – França

Elenco: Jeanne Moreau; Ettore Manni; Umberto Orsini; Keith Skinner; Jeanne Beretta; Pierre Collet

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