A PORTA PROIBIDA

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Será mesmo que para cada um de nós existe mesmo uma tal porta proibida que nunca deveríamos abrir? Se sim, por quanto tempo seríamos capaz de mantê-la fechada?

Um dos primeiros filmes que eu baixei na vida – este estranho trabalho filmado na Indonésia me deixou bastante inquieto na época; eu estava apenas iniciando no universo do cinema alternativo e não tinha nenhum parâmetro para julgar nada, apenas me embasava no conjunto das cenas e pronto! Mal enxergava a mensagem principal do filme. Mas cheguei a prometer a mim mesmo que um dia revisitaria o trabalho; tanto é que preservei o arquivo por vários anos para quando chegasse a hora eu pudesse reviver essa experiência.

De início, havia algo dentro daquela carga bizarra toda e mesmo livre de um imediato entendimento, ela era permeável graças aquela morbidez curiosa que atinge qualquer cinéfilo underground em início de carreira e como eu estava apenas despertando o meu olho fantástico, coloquei o filme em quarentena para uma revisão mais tarde.
Esta é a história de Gambir, um escultor que ainda não conhece o cheiro do sucesso. E olhando para suas esculturas ao longo do filme, não fica difícil imaginar o porquê. O artista encontra-se em crise com sua namorada mas mesmo assim vai tocando sua vida sempre em busca de uma nova inspiração para o trabalho. Certo dia Gambir deixa cair uma de suas ferramentas no chão, e ao afastar um velho armário ele descobre uma porta vermelha trancada. Ao receber orientações de que “haja o que houver, não abra aquela porta” o rapaz fica perturbado com aquilo ao mesmo tempo em que eventos surreais ao seu redor começam a acontecer. Entre estes eventos, um dos mais relevantes é que o rapaz começa a receber mensagens de alguém pedindo socorro.

Logo as mensagens ganham uma forma de visão e o artista é levado até um estranho e bizarro clube de fundo de quintal, onde pessoas oferecem vídeos caseiros com cenas de violência. É de lá que a forma física das mensagens recebidas adquire uma forma.
As produções deste país são poucas, que eu conheço e não tenho nenhuma informação de quais são as melhores do cinema de lá, mas até que A Porta Proibida não faz feio; tem um clima de tensão crescente que funciona enquanto o filme se desenvolve.

É claro que isso demora um pouco a acontecer aqui, mas depois da primeira metade do filme, onde o protagonista tenta desvendar o mistério que cerca aquele pedido de ajuda, o mistério vai ficando mais interessante, mesmo com alguns empecilhos da produção, como o fato de que os atores indonésios são bastante limitados em níveis de atuação.

Já como pontos positivos aqui existem sim, alguns. A abertura de A Porta Proibida por exemplo foi levemente inspirada/chupada da arte de Saul Bass o que deixo o filme com uma importância maior e não há como não lembrar dos últimos trinta minutos finais, onde o mistério (que não chega a ser tão inovador nas produções) é revelado e quando acontece também a cena de grande destaque do longa que se passa num “delicioso” jantar de família.

A Porta Proibida é um filme que eu posso considerar acima da média, tanto da primeira vez que eu conheci e também na revisão que eu fiz recentemente e prova que qualquer país, independente de seu histórico de produções, nada quer dizer quando o assunto é flertar com portas sombrias relacionadas com a mente humana.

The Forbidden Door/ Pintu Terlarang – 2009 dir: Joko Anwar – Indonésia

Elenco: Fachry Albar; Marsha Timothy; Ario Bayu; Tio Pakusodewo
 

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