DESTINO

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O filósofo Arthur Schopenhauer certa vez disse que “O destino é cruel e os homens são dignos de compaixão”
Enquanto assistia ao filme dirigido pelo turco Zeki Demirkubuz fiz a associação entre a citação e a história do protagonista – um jovem que deixou que o destino, ou o seu condutor invisível, o levasse para onde bem quisesse assim como uma folha que cai de uma árvore qualquer e fica a mercê dos ventos, sendo transportado sem um rumo certo, tudo unicamente pelo amor –

O homem na história é Bekir; jovem tímido, de boa família e que gerencia uma loja de móveis. O movimento diário da loja é fraco, decerto que sempre que pode, Bekir tira um cochilo no trabalho. Num dia aparentemente como outro qualquer, ele cai no sono e quando acorda vê a bela Ugur na loja perguntando sobre o preço de uns tapetes. Ali é o estopim certeiro para que o rapaz fique perdidamente encantado/apaixonado pela moça. Para contribuir ainda mais com a situação, Ugur esquece um envelope com algumas fotos e o rapaz as devolve mais tarde, porém fica com uma delas como lembrança.
A partir desse momento é que o destino começa a escrever o restante da história da vida do rapaz.

O roteiro de “Destino” inicialmente parece solto, mostrando a vida de personagens secundários e em situações paralelas a trama principal de Bekir, mas aos poucos vai ganhando firmeza; porém vale lembrar que estamos lidando com a contemporaneidade de um país do oriente médio, então é de natureza própria até para firmar-se em um produto fiel que o roteiro ganhe uma textura mais dura e seca e siga com as transformações no curso da vida dos dois jovens personagens, bem como suas escolhas ao longo de seus caminhos.

Bekir, na ânsia de achar que pode alterar o destino, segue pela estrada dolorosa e cruel de suas escolhas. Vai se desintegrando aos poucos, se torna adulto e embrutece, mas acredita que num embate entre ele e o próprio elemento titular do filme, pode ainda ter chances de sair vencedor, mesmo que isso dure anos e mesmo que o cenário e as cidades mudem também.

Não cheguei a objetar nenhuma opinião sobre a imposição dos personagens diante da situação, embora alguma vezes me peguei pensando em algumas possibilidades e alternativas para eles, mas assisti, compassadamente a proposta do diretor e preferi aceitar o filme de acordo com o título e com a visão de Zeki Demirkubuz, que se firma juntamente com Nuri Bilge Ceylan, como os melhores cineastas da Turquia atualmente.

Destino é um daqueles roteiros que se pudesse, abriria um buraco no peito das pessoas de tão amargo e intenso que é. É também um filme que nos remete a diversos questionamentos a respeito do destino e providência de cada um de nós. Alguns deles que, mesmo sem querer eu formei são:
Será que vale a pena entregar-se ao destino de nossa vida só pela atenção de alguém? E será que você teria a coragem de doar todo o seu amor para alguém, sem receber absolutamente nada em troca?

Destino – 2006 dir:Zeki Demirkubuz – Turquia
Elenco: Ufuk Bayraktar; Vildan Atasever; Engin Akyürek; Mustafa Uzunyilmaz; Merve Kalafat; Hikmet Demir

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