MUCH LOVED

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A prostituição feminina sempre teve uma braço dado com a 7ª arte – basta revirarmos alguns arquivos históricos do cinema por aí para encontrarmos diversos registros, muitos deles bem sucedidos sobre o assunto.

Alguns cineastas deram uma aura de sofisticação (A bela da tarde, 1967) outros transformaram o tema em conto de fadas (Uma linda Mulher, 1990) e existem os filmes mais “barra-pesada”, onde a mulher trabalha por extrema necessidade ou então são induzidas ou exploradas (Para Sempre Lilya, 2002 e Miss Violence de 2013). Mas mesmo com a sofisticação, o conto de fadas, ou a exploração sexual; sempre que alguém resolver abordar sobre a prostituição feminina, será alvo de críticas e polêmicas das mais variadas. Agora eu perguntaria: e se alguém resolvesse filmar sobre prostitutas de Marrakech?

Essa pergunta provavelmente teve início quando ainda era uma pequena ideia na cabeça do diretor Nabil Ayouch, cineasta francês, mas filho de pai marroquino e mãe tunisina, e quando foi finalizado em 2015 e pronto para ser exibido a todos os cantos do mundo; exceto no Marrocos, onde a produção foi banida por atentar contra a moral e o valor das mulheres no país, o filme estaria pronto para gritar a que veio com sua história. O fato é que Much Loved (Muito Amadas – numa tradução controversa e mais literal) já nasceu assim; carregado de ódio e polêmica, o que automaticamente dá ao filme uma fama ainda maior.

A rotina de Noha, Soukaina e Randa são mostradas sem nenhum tabu. Já entramos sem licença no dia a dia dessas mulheres e participamos do que parece ser momentos de pura alegria e suntuosidade, mas é claro que as coisas não funcionam assim. Dividindo um apartamento e momentos de muito humor e deboche sobre os saldos da noite anterior, cada uma dessas mulheres tem seus próprios fantasmas e sabem que o preço para exorcizá-los é mais alto do que aquele que costumam cobrar por uma noite com elas. O filme de Ayouch expõe como uma ferida, as noites de trabalho das garotas, e não faz hesitação nenhuma ao escandalizar; seja por comentários indiretos entre elas, ou por meio de atos diretos que inclui a participação em festas luxuosas com os sauditas, tudo regado a bebidas, danças e joias sendo jogadas numa piscina para que as moças se acotovelem para ganhar.

Apesar de toda a polêmica lançada ao ar o tempo todo, o filme sempre opta por quebrar a dura rotina e mostrar em como essas mulheres, vítimas de violência e humilhações tem sonhos e planos, como qualquer outra mulher do mundo. E mesmo a dureza e a humilhação que enfrenta no trabalho ou a sociedade que as julgam e as despem de uma outra forma também bruta, essas mulheres são bondosas, ajudam a si e ao próximo também, como no momento em que “adotam” uma quarta mulher que está grávida e abandonada pelas ruas da cidade.

Much Loved funciona como um turbilhão de emoções e polêmicas e seus realizadores e envolvidos já previam tal repercussão. A atriz Loubna Abidar por exemplo sofreu retaliações como ataques e ameaças de morte por sua participação como Noha, uma das personagens principais, logo após o filme ser exibido no Festival de Cannes. Embora bastante polêmico, a obra de Ayouch amplifica o grito das mulheres que compõe o círculo da prostituição no Marrocos e que o governo na intenção de abafar por sinal de má interpretação da imagem do país, quer deixar tudo ás escondidas, por baixo de um belo tapete marroquino.

MUCH LOVED (2015) – Marrocos/França

DIR: Nabil Ayouch

ELENCO: Loubna Abidar;Asmaa Lazrak;Halima Karaouane;Sara Elhamdi Elalaoui          

 

 

 

 

 

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