ESTADOS UNIDOS PELO AMOR

 

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Polônia, 1990. O país está passando por uma transformação importante após a derrubada do Muro de Berlim. Uma certa euforia está tomando conta das pessoas e a liberdade talvez seja um passo a considerar, sobretudo para as mulheres.

Na primeira cena de “Estados Unidos pelo Amor, há várias pessoas numa mesa de jantar – tudo ali nos aproxima de uma comemoração, de um sentimento de liberdade, e união. As mulheres em cena são meras desconhecidas até então; mas após essa primeira cena, aparentemente confortável, passamos a ficar no encalço dessas mulheres e a conhecer segredos e desejos platônicos que darão seguimento a suas vidas, Estados Unidos do Amor passa a ser então um recorte do que as mulheres esperam de uma nova liberdade.

Nas histórias que se cruzam em pequenos e rápidos momentos, temos a dona de casa religiosa que renega o amor de seu marido, mas por não acreditar na possibilidade de sua nova investida amorosa, acaba procurando-o apenas para lhe satisfazer sexualmente, em momentos tristes e bem longe de qualquer sensualidade. Há a diretora escolar que nutre um desejo obsessivo por seu amante, logo após a morte da esposa deste. Outrora, uma mulher centrada, a mulher começa a perder o equilíbrio por este amor. Há uma professora da mesma escola, que leva uma vida ordinariamente solitária e que faz de tudo para chamar a atenção de sua vizinha, esta, a quarta personagem, que tem sua vida alterada por um acontecimento violento.

Desde pôster de Whitney Houston colocado numa parede, até aulas de ginásticas com Jane Fonda sendo reproduzidas em aparelhos de VHS, há uma certa liberdade fluindo nas ideias dessas mulheres. E conhecendo o significado da palavra; essas mulheres preferem se jogar de cabeça e com os olhos fechados em seus propósitos, mesmo desconhecendo o preço que pode ser cobrado por isso.

Tristeza, desamor, desespero e solidão são sentimentos negativos que marcam o filme de ponta a ponta, fazendo nos questionar após seu término, qual seria o motivo do diretor ter filmado algo tão bruto assim e associar tudo com um título tão antagônico.

Quem costuma escolher um filme baseando-se primeiramente por seu título, pode acabar se frustrando com este aqui. A impressão que Estados Unidos pelo Amor nos traz é de algo bonito e esperançoso, mas basta conhecer um pouco das almas femininas daqui, para perceber que o diretor Tomasz Wasilewski se apossou de um título chamativo mas sua intenção era vender outro produto, este bem mais caro e amargo.

 

ESTADOS UNIDOS PELO AMOR – 2016 – Polônia

Dir: Tomasz Wasilewski

Elenco: Julia Kijowska; Magdalena Cielecka; Marta Nieradkiewick; Dorota Kolack

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