MUSARAÑAS

1412680716606_0570x0365_1412680731443

Murasanho, segundo o nosso dicionário é um dos menores mamíferos já conhecidos. Trata-se um animal insetívoro e de hábitos noturnos semelhante a um camundongo e de nariz pontudo. Se eu olhasse para a foto do bicho eu diria que era um rato mesmo.

Fui pesquisar pois recentemente chegou até mim um filme de suspense chamado Musarañas (sem previsão de título no Brasil – se bem que se mantivesse o nome original cairia muito bem) e apesar do título original emprestar uma certa confiança ao filme, desconhecia totalmente o seu significado.

A película espanhola produzida pelo grande Alex de la Iglesia é um eficiente suspense psicológico que representa com louvor o gênero e que em vista dos lançamentos recentes, andava devendo uma boa obra. Apenas um ou outro filme acaba se destacando enquanto centenas de outros são despejados todos os anos no mercado. A Espanha por sua vez, parece ter abraçado o gênero e algumas boas pérolas do suspense estão vindo de lá.

A trama de Musarañas começa com a morte de uma mulher, logo após ela dar a luz a uma menina (Nadia de Santiago) Continuar lendo

FINSTERWORLD – MUNDO SOMBRIO

gu

“O Sorriso é o troco da felicidade”

A frase é proferida por um dos vários personagens que compõe o conjunto deste estranho filme que eu tive a sorte de encontrar num festival de cinema alemão contemporâneo. Acredito que em breve teremos acesso a ele por outros meios ou quem sabe uma distribuidora não queira lançá-lo futuramente no circuito alternativo.

Mas, voltando aquela frase dita: Sendo mesmo o sorriso, um troco da felicidade, qual seria a melhor forma de ser feliz? e se me é permitido ainda distender a pergunta: Qual seria a melhor forma de ser feliz sendo nacionalizado na Alemanha?

Continuar lendo

O PROCESSO DO DESEJO

imagesCAN5K6B3

ELE: A inferioridade é ligada a não ter coragem de assumir o próprio desejo. 

ELA: Ele tem uma autoconfiança que impõe a sensualidade, mesmo se a mulher tentar resistir.

Neste grande filme do consagrado diretor italiano Marco Beloccio, uma presença quase sobrenatural parece revoar por sobre os personagens e seus desdobramentos. Pouquíssimas vezes eu tinha presenciado no cinema um sentimento sendo enaltecido a tal ponto que parecesse ele próprio ser um personagem dentro do filme.

O desejo e suas aspirações, como o título sugere é o elemento de rotação onde todos os atores parecem confluir e é dele que é extraído todo o discurso; suas limitações, suas verdades e mentiras, suas hipóteses e sua verdadeira identidade.

Dividido em três atos, O Processo do Desejo que por ter um assunto polêmico e foi muito bem abordado chega a provocar reações e emoções.

O primeiro ato da história aqui tem início num museu, onde Sandra encontra-se juntamente com outros alunos numa exposição. Por um breve descuido da moça, ela se separa das outras pessoas que estavam ali e acaba ficando presa no local. Na verdade, em uma cena fica quase evidente que ela poderia muito bem ter saído de lá, mas movida por um sentimento impulsivo desconhecido, ela acaba permanecendo por lá. Não chegarei entrar no mérito do julgamento que o filme evoca, nem nas cena que ficam subentendido alguns atos, mas o fato é que Sandra fica presa no museu. Continuar lendo

ALLELUIA

17412728_wyLy6

Já dizia um poeta e romancista francês chamado Pierre Jean Jouve “A arte dos loucos, pode tocar-nos; enriquece-nos, porque encontramos em nós”

O cinema de loucura juntamente com seus personagens representados, já deixou sua marca na longa jornada do cinema, e vem até hoje trazendo exemplares para somar essa extensa galeria de desnorteados, sejam elas inspirações reais ou meras invenções. No entanto dessa extensão toda de filmes, nem todos são aproveitáveis ou cumprem o mérito de ser um exemplo bom o suficiente para ser pelo menos os primeiramente lembrados, ou quem sabe então aqueles que mesmo não sendo bons, deixa pelo menos determinadas cenas ou personagens reacendendo em nossas memórias por um bom tempo. Continuar lendo

O GAROTO QUE COME ALPISTE

boyeatingthebirdsfood06_small

As estatísticas apontam que seis a cada dez jovens estão desempregados na Grécia atualmente; isso é um total de 25% de desempregados no país inteiro, o que leva o fato para uma espécie de calamidade social. Driblar e exterminar esse fantasma da crise real não é um feito tão fácil. Portanto no meio de todo esse desequilíbrio econômico há uma geração de novos talentos cineastas que estão mesclando essa fase que o país está amargando e embalando tudo com um bom cinema, crítico e visceral para assim transmitir sua mensagem ao mundo. E convenhamos, está funcionando perfeitamente bem.

Escrevi um tempo atrás sobre o filme de estreia de Alexandros Avranas – o sufocante “Miss Violence”.  Na mesma época que o Brasil passou a conhecer o filme na 37º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, foi exibido um outro exemplar que eu passei a denominá-los juntamente com todos os demais filmes dessa safra  como “os frutos da crise”.  Este, também, um filme de estreia de um diretor que aponta como ser um futuro promissor, causou os primeiros burburinhos já durante as primeiras exibições do filme no festival em 2013. Muito falatório, conversas de corredores, tudo por causa da história profunda e de algumas cenas impactantes, mas mesmo com essa fama passageira durante a mostra, o filme não teve o reconhecimento que merecia, pois até hoje nem sequer houve um lançamento comercial dele. Continuar lendo

THE DUKE OF BURGUNDY

timthumb

Comportamento humano! Quem os delimitará? Quem tarjará e associará os limites do fetiche e da fantasia? Até quando uma fantasia pode ser considerável o alicerce que sustenta toda a base de uma relação? Assistir a este filme, por um minuto me fez lembrar de uma poderosa frase de Clarice Lispector que diz que até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso, pois nunca se sabe qual é o defeito que pode sustentar o nosso edifício inteiro. A citação faz um sentido grande e louco, principalmente na metade final desse intenso filme que em seus desdobramentos, pode parecer um filme de gênero inclassificável, porém num olhar mais generalizado, The Duky of Burgundy (sem título ainda no Brasil)  nada mais é do que um filme sobre o amor, sobre o encontrar aquela peça estranha capaz de preencher e saciar as nossas mais intensas necessidades de prazer. Continuar lendo

A INFLUÊNCIA

ccc16-lainfluencia004

Poderia o monstro da depressão influenciar diretamente na vida de uma pessoa? E de uma criança, será que teria fácil influência? 

Na  cena que abre este drama angustiante, a protagonista está parada num balcão de farmácia em meio a um impasse se deve ou não comprar um medicamento antidepressivo. Logo se mostra evidência de que as coisas não andam bem para ela.  A mulher ali é Rivero,  mãe de dois filhos que dirige um pequeno negócio, “o Genna – cabelo e maquiagem” um espaço alugado  onde raramente alguém passa para comprar alguma coisa. Como a loja não está rendendo um tostão, ela sofre constantes ameaças de despejo do proprietário do espaço, já que os aluguéis não estão sendo pagos. Esta é a vida da Sra. Rivera  que está fazendo o que pode (e até o que não pode) para sustentar seus dois filhos.

Continuar lendo